Tuesday, October 20, 2009

objeto

sabia que precisava fazer algo, mas não conseguia pensar.
caminhou pelos corredores da faculdade até que avistou uma grande porta, dando para um estacionamento aberto e algumas caçambas de lixo. não sabia o que devia fazer, só que tinha muita beleza nos entulhos sob o sol.
a luz do meio-dia quase a cegando brilhava sobre uma lixeira em particular, carregada de pedaços de madeira e móveis destroçados.não se conteve, caminhou um pouco mais, curiosidade e uma sensação de estar acolhida, algo que lhe lembrava um lar. parada, diante dos despedaços da sua universidade, viu uma mesinha, atarracada e de uma extrema simpatia, quase rindo.hesitou por pura coerção social. queria se jogar e abraçar a pequena mesa, sem defeitos aos seus olhos.
- Boa tarde! Quer ajuda? - uma voz estranha interrompia um raro momento de intimidade.
- Ah! Boa tarde.
- Quer que eu pegue alguma coisa pra você daí? - o guarda solicito.
- Ah, er, quero sim. Essa mesinha.
-Deixa eu ver...É, eles jogam umas coisas fora muito boas pra vocês, né? hahaha.
sabia que os outros alunos costumavam pegar coisas no lixo para levar até o ateliê, a surpresa irracional.
e ele pegou a mesa, ofereceu levá-la até o seu espaço de trabalho.
agradeceu, o pequeno objeto agora sem valor a seguindo rumo a um novo dia sem nada especial.

(também no blog escadas histéricas)

2 comments:

Tony Tiger said...

Esse foi o primeiro texto teu que eu li.

De alguma forma, sabia que te amaria um dia! (ei, me deixa ser piegas em paz, tá?)

Érica Bueno said...

weh,

que eu saiba vc começou a se dissipar numa fumaça virtual.

culpa foi minha não.