Tuesday, May 11, 2010

nuvens.

é dificil estabelecer quando as nuvens passaram a ter tanto significado pra mim.

houve uma época em que elas podiam ser interessantes ou não, segundo meu nível de tédio. hoje me peguei sentada num espaço repleto de nuvens, quase aconchegada nelas...cada céu era especial para mim, capturado especialmente por mim e para mim.
dezenas de fotos espalhadas sobre cadeira, mesa, cavalete e até mesmo um balde (!) que compunham meu ninho, meu processo, meu ethos.

tento reproduzir as imagens tão especiais para mim em tudo que me interessa: sapato, porta-jóias, tela, papel, caderno, gavetas, meus sonhos e humor.
meu humor acompanha o céu, com nuvens nubladas, ensoladas, dispersas, desvanecendo...

é frustrante observar que por mais importante que seja o céu pra mim, ele perde as cores (milhares de cores) e magia diante do céu de pintores como Niccolo dell Abbate, Vermeer e claro, Van Gogh.
me pergunto o quanto esses mestres amaram o céu, para representá-lo com tanta dedicação, com tanta minúcia. o céu passou a significar trabalho duro e grandes nomes da pintura também, os grandes pintores entrelaçados nos meus dias e experiências, passou a significar muito.

observo novamente meu ninho, com o céu em toda parte, convivendo com meus cigarros, pacotes de biscoito, garrafas de coca-cola, com a minha inexperiência, minha vontade de experimentar e meu amor. todos os elementos dispostos ao longo de semanas de trabalho, tinta em suportes tão inusitados: do chão a pá de ventilador encostada na mesinha onde passo a maior parte do dia. o céu em toda a parte.
de repente, pareceu pronto, pareceu que o meu ninho falava por si, e falava por mim também. eu estava ali, em cada gaveta pintada, cada objeto, cada detalhe.
isso pareceu arte, pareceu exatamente o que eu devia mostrar, o que falaria mais claramente do que qualquer outro trabalho. esse foi meu primeiro trabalho de arte.