Caminhou até o banheiro, passo a passo, sentindo a dor de cada movimento simples. Cada toque ao pisar e se suster sobre os pés ferindo em seu coração, uma agonia de pulsar e respirar.
Nojo ao tocar a maçaneta, um desgosto a nocauteou adentrando a porta.
Cambaleante, apoiou-se na pia, não ousou levantar o olhar ao espelho.
Evitar a dor, vindo como ânsia de vômito, grandes golfadas de uma tristeza brutal que a despedaça.
Pegou a escova de dentes, colocou mais pasta que o necessário e caiu. Escova dental se movimentando sobre os molares, o rosto coberto de lágrimas, não interrompendo a escovação apesar dos soluços, ainda que não se suporte em pé.
Por um instante não pôde deixar de notar seus dias refletidos nessa cena singular: não importa o quanto doa, ainda sem ficar de pé, destroçada, cumpria sua rotina. A perfeita figura da miséria caída no chão do banheiro, escovando os dentes com o rosto banhado em lágrimas.
Tuesday, May 05, 2009
Saturday, March 14, 2009
Comer
eu me relaciono mal com o mundo, mas algumas coisas são naturais até para o mais boçal dos seres em circunstâncias normais. respirar e comer são tão básicos que a menor irregularidade na rotina dessas ações é preocupante.
recentemente tudo o que como me faz mal. não sinto fome nunca, mas por ter a comida como hábito ainda forço tudo o que vejo na minha frente garganta abaixo. o problema é que absolutamente tudo fica lá no estômago por dias infinitos até eu resolver jogar tudo pra fora de maneira desconfortável mas a essa altura sem esforço algum.
acordo todos os dias enjoada e nada tem gosto bom.
sinto falta de comer.
recentemente tudo o que como me faz mal. não sinto fome nunca, mas por ter a comida como hábito ainda forço tudo o que vejo na minha frente garganta abaixo. o problema é que absolutamente tudo fica lá no estômago por dias infinitos até eu resolver jogar tudo pra fora de maneira desconfortável mas a essa altura sem esforço algum.
acordo todos os dias enjoada e nada tem gosto bom.
sinto falta de comer.
Wednesday, January 21, 2009
o gosto.
li há pouco um trecho de livro no qual os personagens comem espagueti no jantar, um bom macarrão ao molho vermelho.
ao invés de usar como pano de fundo para a história minha imaginação prendeu-se à idéia de haver cabelo no macarrão, MEU cabelo.
estou obsessivamente presa na imagem, na sensação do fio grosso sendo mastigado, preso na minha garganta fazendo cócegas, puxar o fio da boca... e quando todo o processo devia terminar eu volto a mais uma garfada de espagueti vermelho com fios negros de cabelo.
não consigo me livrar.
ao invés de usar como pano de fundo para a história minha imaginação prendeu-se à idéia de haver cabelo no macarrão, MEU cabelo.
estou obsessivamente presa na imagem, na sensação do fio grosso sendo mastigado, preso na minha garganta fazendo cócegas, puxar o fio da boca... e quando todo o processo devia terminar eu volto a mais uma garfada de espagueti vermelho com fios negros de cabelo.
não consigo me livrar.
Tuesday, January 13, 2009
prazer
tenho ouvido música com mais paixão e lido com mais voracidade. comido com mais vontade e chorado com mais verdade.
de todas essas a que me deu mais prazer foi chorar.
de todas essas a que me deu mais prazer foi chorar.
Friday, January 09, 2009
"einmal ist keinmal."
"uma vez não conta".
um dia eu acordei e falei pra mim mesma "valeu a pena todos os outros dias".
o sol atravessou as janelas e aqueceu meu coração, as vozes na rua eram melodiosas e o vento que soprava mais fresco e cheiroso do que qualquer outro. foi uma vez, passou rápido mas aconteceu.
eu fui piegas e falei demais.
não pensei, não menti, não errei e não lamentei.
só vivi uma vez, e conta.
um dia eu acordei e falei pra mim mesma "valeu a pena todos os outros dias".
o sol atravessou as janelas e aqueceu meu coração, as vozes na rua eram melodiosas e o vento que soprava mais fresco e cheiroso do que qualquer outro. foi uma vez, passou rápido mas aconteceu.
eu fui piegas e falei demais.
não pensei, não menti, não errei e não lamentei.
só vivi uma vez, e conta.
Saturday, January 03, 2009
Não há lugar como o lar.
poucas coisas torturam a alma como o sentimento de impotência. querer estar num lugar e simplesmente não conseguir esvai minhas energias e atormenta-me a sanidade.
é quando tudo em volta incomoda, e tudo se torna detestável. odeio essa cadeira, odeio essa luz, odeio esse cheiro, odeio essa voz, odeio, odeio, odeio.
meu pensamento burguês me diz "se eu fosse rica não precisava disso, pegava meu carrinho e me mandava", meu pensamento sensato me diz "conforme-se, nem todo mundo tem o que quer".
mas não me conformo. reclamo, xingo, faço o tempo intragável pra todos que compartilham desses indigestos momentos.
sinto os pés agitados, as mãos sem lugar, os pensamentos inquietos e principalmente vida.
a vida atravessa as paredes, preenche o ambiente, me envolve e gira incontrolável como um tornado. a vida quer dançar, a vida quer correr, quer gritar nos meus ouvidos e incansável como é, não me deixa dormir.
a vida fala muito e muito alto. barulhenta, repetitiva e chata.
e eu continuo querendo estar em outro lugar.
é quando tudo em volta incomoda, e tudo se torna detestável. odeio essa cadeira, odeio essa luz, odeio esse cheiro, odeio essa voz, odeio, odeio, odeio.
meu pensamento burguês me diz "se eu fosse rica não precisava disso, pegava meu carrinho e me mandava", meu pensamento sensato me diz "conforme-se, nem todo mundo tem o que quer".
mas não me conformo. reclamo, xingo, faço o tempo intragável pra todos que compartilham desses indigestos momentos.
sinto os pés agitados, as mãos sem lugar, os pensamentos inquietos e principalmente vida.
a vida atravessa as paredes, preenche o ambiente, me envolve e gira incontrolável como um tornado. a vida quer dançar, a vida quer correr, quer gritar nos meus ouvidos e incansável como é, não me deixa dormir.
a vida fala muito e muito alto. barulhenta, repetitiva e chata.
e eu continuo querendo estar em outro lugar.
Friday, January 02, 2009
laying i bed, thinking of you.
"uma boa comparação que podemos fazer para esclarecer as diferenças conceituais entre a depressão psiquiátrica e a depressão normal seria comparar com a diferença que há entre clima e tempo. o clima de uma região ordena como ela prossegue ao longo do ano por anos a fio. o tempo é a pequena variação que ocorre para o clima da região em questão. o clima tropical exclui incidência de neve. o clima polar exclui dias propícios a banho de sol. nos climas tropical e polar haverá dias mais quentes, mais frios, mais calmos ou com tempestades, mas tudo dentro de uma determinada faixa de variação. o clima é o estado de humor e o tempo as variações que existem dentro dessa faixa. o paciente deprimido terá dias melhores ou piores assim como o não deprimido. ambos terão suas tormentas e dias ensolarados, mas as tormentas de um, não se comparam às tormentas do outro, nem os dias de sol de um, se comparam com os dias de sol do outro. existem semelhanças, mas a manifestação final é muito diferente. uma pessoa no clima tropical ao ver uma foto de um dia de sol no pólo sul tem a impressão de que estava quente e que até se poderia tirar a roupa para se bronzear."
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